'Eles só têm a mim': protetor cuida de 93 cães e gatos e sonha ter abrigo no interior de SP
23/06/2026
(Foto: Reprodução) Conheça o protetor que cuida de quase 100 cães e gatos e sonha ter abrigo no interior
Treze animais resgatados dentro de casa e outros 80 amparados nas ruas ou em famílias carentes. Essa é a conta que move a rotina do passeador Adriano Lemos, de 36 anos, morador de Itirapina (SP).
Mas antes de conhecerem o seu trabalho na causa animal, muitas pessoas ainda estranham seu estilo, marcado por várias tatuagens e piercings. Apesar disso, ele faz da fé o combustível para manter um projeto que sobrevive de rifas, doações e parcerias.
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A rotina pesada envolve alimentação, transporte, medicações e castrações entre Itirapina e Rio Claro (SP). Em meio às dificuldades financeiras que quase o fizeram desistir por diversas vezes, Adriano agora foca seus esforços em um novo objetivo: estruturar uma propriedade para abrigar de forma digna todos os animais que dependem exclusivamente dele.
Com mais de 243 mil seguidores no Instagram, ele também conta com a ajuda de doações para cobrir todos os gastos.
Adriano Lemos
Arquivo Pessoal
Da infância à causa animal
O amor pelos animais começou ainda na infância, quando o pai levou para casa o primeiro cachorro da família, chamado Negão. Algumas histórias que ouviu quando criança também ajudaram Adriano a fortalecer essa ligação com os bichos.
Segundo ele, era comum escutar relatos sobre a antiga “carrocinha”, que recolhia cães de rua para serem usados na produção de sabão, uma lenda muito contada antigamente às crianças.
Adriano e Negão - cachorro que ganhou na infância
Arquivo Pessoal
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A partir disso, ele passou a enxergar os animais abandonados com mais preocupação e empatia.
Na sua rotina, além dos resgates, ele também trabalha como passeador e cuidador de cães. O serviço é procurado principalmente por pessoas que viajam e precisam de alguém para cuidar dos seus pets.
A renda ajuda a cobrir os custos do projeto, que incluem ração, exames, medicamentos e atendimento veterinário.
Ele conta que alguns veterinários ajudam oferecendo descontos em consultas, exames e medicamentos.
Um procedimento que normalmente custaria cerca de R$ 500, por exemplo, acaba saindo por aproximadamente R$ 300 para ele. Segundo Adriano, esse apoio faz toda diferença na continuidade do trabalho e dá ainda mais força para seguir em frente.
Adriano Lemos
Arquivo Pessoal
História marcante
Entre os casos que mais o marcaram, Adriano cita o resgate de um gato em estado crítico após ingerir drogas ilícitas pertencentes ao próprio tutor. O animal foi levado para atendimento quase à meia-noite e, após uma semana internado, sobreviveu. “Enquanto há vida, há esperança”.
Mesmo com os avanços, ele admite que já pensou em desistir. A falta de recursos, o aumento de abandonos e a sensação de “enxugar gelo” são alguns dos desafios enfrentados. “Já pensei em desistir várias vezes, quando as doações não entram e as contas chegam”, afirmou.
Ainda assim, ele diz continuar por acreditar que muitos animais dependem exclusivamente dele.
“Eles só têm a mim. Se eu não for, quem vai?”, desabafou.
Sonho de criar um abrigo
Passeador Adriano Lemos, de 36 anos, cuida de dezenas de animais em Itirapina (SP)
Reproduçãp/Instagram
Adriano contou ao g1 que os custos para manter os resgates são altos. Atualmente, ele alugou uma chácara com a intenção de comprá-la futuramente para construir um espaço capaz de receber ainda mais animais.
Segundo ele, o aluguel do imóvel custa R$ 1,5 mil por mês. Outros R$ 1,5 mil são destinados ao consórcio para a compra da propriedade, avaliada em R$ 310 mil. Enquanto tenta arrecadar recursos, Adriano recebeu autorização do proprietário para morar no local pagando o aluguel.
“Meu maior sonho hoje é ver esse espaço, que hoje é só mato, se tornar um abrigo de verdade”, afirmou.
Com tatuagens, piercings e um visual fora dos padrões mais tradicionais, Adriano diz que frequentemente enfrenta julgamentos e desconfiança por causa da aparência.
Segundo ele, muitas pessoas demonstram surpresa ao descobrir que alguém com esse estilo atua no resgate e proteção de animais. Apesar disso, afirma que prefere ser reconhecido pelo trabalho realizado diariamente com os bichos.
O trabalho é mantido principalmente por meio de doações feitas por seguidores nas redes sociais, além de rifas e campanhas via Pix.
Segundo Adriano, toda arrecadação é divulgada de forma transparente. “Aqui a gente pede, a gente faz e a gente mostra”, afirmou.
Em meio às dificuldades, Adriano diz encontrar na fé a força para continuar ajudando os animais.
“É Deus mesmo que sustenta tudo isso. Já vivemos cada milagre”, disse.
*Sob supervisão de Fernando Bertolini
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