Europa x mísseis balísticos: entenda por que o armamento preocupa tanto os líderes europeus
14/07/2026
(Foto: Reprodução) Sistema de mísseis balísticos Oreshnik, da Rússia, aparece durante um treinamento em local não divulgado em Belarus em dezembro de 2025
Serviço de Imprensa do Ministério da Defesa da Rússia via AP
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, esteve em Paris no início da semana onde, ao lado de Emmanuel Macron, foi anunciada uma coalizão para proteger a Europa de mísseis balísticos.
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Em comunicado, a coalizão afirmou que o objetivo é "construir uma capacidade de defesa compartilhada contra mísseis balísticos para a Europa".
O anúncio é voltado principalmente para os mísseis vindos da Rússia, que travam uma guerra contra a Ucrânia desde 2022 e que vem utilizando mísseis balísticos com mais frequência para atacar alvos inimigos.
Em um dos ataques mais pesados a Kiev desde o início do conflito, no último dia 6, a Rússia lançou 23 mísseis balísticos, e as defesas ucranianas não conseguiram derrubar nenhum deles.
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Entenda, a seguir, o que são mísseis balísticos e por que eles preocupam o continente europeu:
➡️ Mísseis balísticos funcionam de modo semelhante a um foguete: eles são lançados a grandes altitudes — centenas de quilômetros do nível do mar, a depender da distância do alvo. Sem a resistência do ar, os projéteis podem atingir velocidades altíssimas, dez ou vinte vezes mais rápidas que a velocidade do som. Os mísseis desaceleram em sua descida, que às vezes dura menos de um minuto, mas podem atingir o alvo a uma velocidade de 3.200 km/h.
Outros mísseis, de cruzeiro, usam uma estratégia diferente: muitas vezes eles voam baixo, a metros do chão, fora do alcance dos radares aéreos, e podem ser guiados de forma remota para o alvo.
Embora ambos apresentem dificuldades para serem abatidos por sistemas de defesa, os mísseis balísticos são mais difíceis, em geral, de serem interceptados, por terem mais energia cinética em sua fase final de voo.
Míssil sendo disparado de sistema de defesa aéreo Patriot.
Reprodução/Raytheon Technologies
Mísseis Oreshnik
Em janeiro, a Rússia começou a usar com frequência seus mísseis balísticos hipersônicos Oreshnik.
Essa classe de mísseis tem alcance intermediário (pode atingir alvos a até 5.500 km de distância) e é capaz de atingir velocidades de até 13 mil km/h. Isso permitiria alcançar grande parte da Europa a partir do território russo ou de Belarus, onde unidades do sistema já foram instaladas.
Sistema Patriot
A Europa já forneceu para a Ucrânia diversos sistemas de defesa antiaérea contra mísseis de cruzeiro. Contra mísseis balísticos, porém, Kiev tem contado principalmente com o sistema americano Patriot, o mais avançado do mundo atualmente.
🔍 O Patriot (que vem da sigla em inglês "Phased Array Tracking Radar for Intercept on Target" — "Radar de Rastreamento com Matriz de Fase para Interceptação no Alvo" em português) é um sistema móvel de mísseis terra-ar desenvolvido e fabricado pela gigante americana de equipamentos bélicos Raytheon Technologies. É considerado um dos sistemas de defesa aérea mais avançados do arsenal dos EUA e está em operação desde a década de 1980, com diversas atualizações ao longo dos anos.
Os Patriot são enviados pelos EUA ao país desde julho de 2025, mas a Força Aérea Ucrânia sofre atualmente uma grave escassez desses interceptadores — falha que Moscou tem explorado com frequência na guerra.
Na semana passada, durante a cúpula da Otan, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que pretende conceder à Ucrânia uma licença para produzir de forma independente mísseis para o sistema de defesa aérea Patriot.
Embora o equipamento seja fundamental, especialistas e autoridades ucranianas alertam que transformar a ideia em realidade provavelmente levaria anos, já que seria necessário instalar a tecnologia e adaptar o parque industrial do país antes que o primeiro sistema Patriot saísse da fábrica.
A Europa tem desenvolvido seus próprios sistemas de defesa antimísseis balísticos, como os projetos concorrentes HYDIS e EU HYDEF, mas o continente segue dependente dos mísseis Patriot de maneira geral.
Essas iniciativas já vêm sendo desenvolvidas há cerca de três anos e não têm relação direta com o afastamento gradual do continente em relação aos EUA, que tem se desenhado após a volta de Donald Trump à Casa Branca e às repetidas investidas do republicano contra a Otan, como suas ameaças de anexar a Groenlândia.
Coalizão europeia
Em comunicado, a coalizão afirmou que o objetivo é "construir uma capacidade de defesa compartilhada contra mísseis balísticos para a Europa". Esses mísseis são mais difíceis de interceptar do que os mísseis de cruzeiro ou drones.
“Acreditamos que proteger a Europa exige uma solução abrangente, sob a forma de uma arquitetura integrada de defesa antimísseis, para dissuadir e neutralizar futuras ameaças de mísseis”, afirmou o comunicado.
“Reconhecemos a experiência única da Ucrânia, adquirida através da sua defesa contra a guerra de agressão movida pela Rússia.”
Num primeiro momento, a coalizão é formada por Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Holanda, Noruega, Espanha, Suécia, Reino Unido e Ucrânia.
Ainda não há um cronograma para a criação do sistema de defesa, e o plano continua aberto a outros países.
O presidente russo, Vladimir Putin, tem se mostrado inflexível, prometendo na segunda uma retaliação enfática aos recentes ataques de longo alcance de Kiev contra refinarias, petroleiros e terminais, que causaram uma escassez generalizada de combustível no país.