Ex-deputado de PE detido em operação que apurava morte de turistas no CE é solto pela Justiça; político fala em 'mal-entendido'
29/05/2026
(Foto: Reprodução) Ex-deputado estadual Clóvis Paiva fala sobre prisão durante operação da Polícia do Ceará
Um dia após ser preso durante uma operação que investiga as mortes de dois turistas no ano passado na Praia do Futuro, em Fortaleza, o ex-deputado estadual Clovis Paiva, que também foi prefeito de Ribeirão, na Zona da Mata Sul de Pernambuco, foi solto pela Justiça após audiência de custódia.
Em publicação no Instagram, o político afirmou que tudo não passou de um "mal-entendido" (veja vídeo acima). Ele foi preso na quinta-feira (28) durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na sua residência, no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, após policiais encontrarem uma arma adulterada.
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Na gravação, Clovis afirma que os advogados irão provar que tudo foi um "grande engano" e agradeceu todo o apoio que recebeu. O ex-deputado foi alvo do mandado de busca e apreensão porque, segundo as investigações, tem ligação com suspeitos de envolvimento nos assassinatos, mas não há comprovação de que ele está envolvido diretamente no duplo homicídio.
No entanto, de acordo com o delegado que investiga o caso, Clovis e o presidente da Câmara de Jaboatão dos Guararapes, Getúlio Belém (PL), estariam envolvidos em práticas ilegais, como rinha de galo e jogos clandestinos (saiba mais abaixo).
"Quem me conhece sabe o meu perfil e a minha honestidade como homem e como ser humano e que jamais eu me envolveria numa coisa desse tipo", disse no vídeo.
O advogado Brenno Oliveira Lins, que representa o ex-prefeito e ex-deputado estadual, afirmou em nota compartilhada no perfil do ex-político que ele “não possui qualquer envolvimento com a investigação em curso no estado do Ceará”.
O texto também diz que o ex-deputado vem colaborando com as autoridades desde o início das apurações e que “foram localizadas munições não usuais, em situação alheia e sem relação com o objeto da diligência”.
Ex-deputado estadual Clóvis Paiva fala sobre prisão durante operação da Polícia do Ceará
Reprodução/Instagram
Mandados
Na quinta-feira (28), além do ex-deputado, o presidente da Câmara de Vereadores de Jaboatão dos Guararapes, Getúlio Belém (PL), foi alvo de mandados de busca e apreensão durante operação da Polícia Civil do Ceará. Outro pernambucano, identificado como Dinailton Tavares Pereira, também foi preso em Guarulhos, em São Paulo. Ele seria o mandante do crime, conforme as apurações.
Em entrevista coletiva no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no Recife, o delegado responsável pelo inquérito, Ícaro Coelho, disse que o vereador e o ex-deputado são investigados por outras práticas ilegais, como jogos clandestinos e rinha de galo, mas não há comprovação de que eles estão envolvidos diretamente no duplo homicídio.
De acordo com a polícia, durante o cumprimento do mandado contra Getúlio Belém, o parlamentar teria jogado o celular pela janela do apartamento. O aparelho, no entanto, foi recuperado pelos policiais. Também houve busca e apreensão no gabinete do vereador, em Jaboatão. O g1 tenta contato com as defesas de Dinailton Tavares Pereira.
Por meio de nota divulgada no Instagram, o presidente da Câmara Municipal do Jaboatão dos Guararapes, Getúlio Belém, informou que está à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos e reafirmou "seu respeito às instituições e ao devido processo legal".
Na publicação, o parlamentar negou ter envolvimento, participação, relação e correlação com o duplo homicídio e declarou que está "tranquilo, confiante na Justiça e exercendo normalmente suas atividades públicas, acreditando que todos os fatos serão devidamente esclarecidos".
Entenda o crime
No dia 1º de abril de 2025, dois turistas foram mortos a tiros dentro de uma caminhonete no Bairro Praia do Futuro, em Fortaleza.
Renato Faria de Azeredo, 34 anos, natural do Rio de Janeiro, e André Luís Guellen, conhecido como "Foguinho", 43 anos, do Rio Grande do Sul, estavam a passeio na capital cearense quando foram atacados após saírem de uma barraca de praia.
Depois do crime, a polícia apreendeu joias em ouro e dois mil guaranis (moeda do Paraguai) no veículo dos turistas, apontados como agenciadores de apostas e proprietários de criação de galos e galinhas para exposição, reprodução e rinhas (jogo ilegal com aves).
No dia 23 de abril do mesmo ano, o Ministério Público do Ceará denunciou quatro pernambucanos pelos assassinatos. Gabriel Carlos do Nascimento Silva, 27 anos, Júlio César do Nascimento, 37 anos, Ítalo Rafael Silva Santos, de 30 anos e Pablo Lucas Simões Soares.
Os dois primeiros, que são primos, foram presos na cidade de Petrolândia, no Sertão de Pernambuco, dias após o duplo homicídio. Ítalo Rafael foi capturado no dia 24 de abril, na cidade de Indiaroba, em Sergipe, quando tentava fugir. Já Pablo continua foragido.
Segundo as investigações, Júlio César teria sido o executor dos disparos, utilizando uma motocicleta que havia sido adquirida na véspera do crime por Gabriel.
Ainda de acordo com a denúncia, os quatro homens premeditaram os assassinatos das vítimas e saíram de Pernambuco até o Ceará apenas para cometer o crime.
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