Mãe e filho são condenados por matar estudante na porta da escola; vídeo mostra briga
30/04/2026
(Foto: Reprodução) Vídeo mostra briga em porta de escola que causou morte adolescente, em Anápolis
A mãe e o filho acusados de matar o estudante Nicollas Lima Serafim, de 14 anos, na porta de uma escola em Anápolis, a 55 km de Goiânia, e tentar matar outros dois adolescentes foram condenados após julgamento em Tribunal do Júri. Juntas, as penas de Maria Renata de Merces Rodrigues e Kaio Rodrigues Matos somam quase 70 anos de prisão. A decisão cabe recurso.
A defesa de Maria Renata, representada por Saulo Silva e Hélio Aquino, informou que o julgamento foi considerado justo do ponto de vista processual, mas que o júri decidiu pelo contrário do que a defesa entende. Disse ainda que pontos da dosimetria da pena precisam ser ajustados e que irá recorrer da decisão (leia a nota da defesa na íntegra).
Já a defesa de Kaio Rodrigues, representada por Victor José, entende que há circunstâncias relevantes que não foram devidamente consideradas na fixação da pena, especialmente no que se refere à dosimetria e que também vai recorrer da decisão (leia a nota da defesa na íntegra).
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Justiça condenou mãe e filho pela morte de Nicollas Serafim e por duas tentativas de homicídio em Goiás
Reprodução/TV Anhanguera
O crime aconteceu no dia 20 de fevereiro de 2024. Na ocasião, as vítimas tinham 12, 14 e 15 anos. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que mãe e filho se aproximam e uma briga generalizada começa (assista o vídeo acima).
A sentença condenatória foi proferida pela 4ª Vara Criminal de Anápolis e considerou agravantes como o risco imposto a terceiros e a idade das vítimas para definir a dosagem da pena, além de negar o direito de recorrerem em liberdade.
Os dois foram condenados por homicídio qualificado e tentativa de homicídio, por duas vezes. Havia ainda uma acusação de corrupção de menores, pela qual Maria Renata foi condenada e Kaio foi absolvido.
Veja as penas de mãe e filho:
Maria Renata de Merces Rodrigues: 40 anos de reclusão
Kaio Rodrigues Matos: 29 anos e 7 meses de reclusão
Mãe e filho suspeitos de matar adolescente durante briga em porta de escola, em Anápolis
Reprodução/TV Anhanguera
O julgamento durou cerca de 12 horas. Na leitura da sentença, o juiz Fernando Augusto Chacha de Rezende aproveitou para fazer uma recomendação aos presentes sobre a importância de agir com cautela em situações de tensão.
"Eu espero que todos os presentes reflitam todas as vezes que forem cometer qualquer situação de afogadilho [pressa excessiva, precipitação ou afobação]. A senhora [mãe] vai ter alguns anos para refletir e o filho também. Se vocês [réus] tivessem pensado 10 segundos a mais, ninguém estaria aqui hoje. Estariam todos felizes em casa, vocês, a vítima, a ré", declarou o juiz enquanto proferia a sentença.
Além da prisão em regime fechado, a decisão impõe o pagamento de indenizações financeiras à família do adolescente morto e para os feridos. A família de Nicollas Lima Serafim deve receber R$ 150 mil, enquanto os sobreviventes devem receber R$ 75 mil cada.
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Briga na porta de escola
Mulher e dois jovens agridem aluno, que está encolhido em Anápolis, Goiás
Reprodução
A confusão que terminou na morte de um adolescente aconteceu na saída do Colégio Estadual Leiny Lopes de Souza, no bairro Calixtópolis, por volta das 12h. De acordo com o delegado Wllisses Valentim, a confusão teria começado após uma briga em um jogo online.
“Os meninos fizeram uma live em um joguinho online e, no meio da live, outro garoto entrou e começou a fazer ofensas. Então, eles combinaram de se encontrar na saída da escola, hoje, para resolver essas diferenças. Na saída da escola houve essa briga”, explicou o delegado.
Nikolas Lima Serafim, de 14 anos, morreu após uma briga na porta de uma escola em Anápolis, Goiás
Laura Morais/Arquivo pessoal
Um dos adolescentes envolvidos na briga, de 15 anos, é irmão de Kaio e filho de Maria Renata. Os dois chegaram para "tirar satisfação" com os estudantes e, segundo o investigador, ela estava com um martelo, enquanto Kaio carregava uma faca.
Durante a confusão, mãe e filho acabaram atingindo três estudantes. Um deles morreu na hora e os outros dois foram internados no hospital e sobreviveram após ficarem internados em estado gravíssimo. Na ocasião, mãe e filhos foram levados para a Central de Flagrantes.
Em um vídeo, feito pelos próprios policiais, Kaio afirmou que o irmão mais novo já vinha sofrendo ameaças dos estudantes na escola há alguns dias e que foi ameaçado de morte pelos garotos por mensagens na internet e, por isso, foram até a escola (veja o vídeo abaixo).
Na época, a Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc) lamentou o ocorrido e disse que toda a confusão aconteceu fora do ambiente escolar, por motivos pessoais dos estudantes. Explicou que a Superintendência de Segurança Escolar foi acionada assim que a direção soube do caso.
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Leia a nota da defesa da mãe
A defesa de Maria Renata, exercido pelos advogados Saulo Silva e Hélio Aquino, informa que o julgamento foi considerado justo do ponto de vista processual.
Os jurados avaliaram todo o processo e concluiu pela condenação de Maria Renata, ao contrario do que a defesa entende.
Algumas correções pontuais serão feitas nos proximos dias.
Alguns pontos identificados ao longo do processo e tambem sobre a dosimetria da pena precisam ser ajustados, e a defesa de Maria Renata se comprometeu a tomar as providências necessárias.
Iremos recorrer da sentença.
Leia a nota da defesa do filho
A defesa técnica de Kaio Rodrigues Matos os Advogados Victor José, Layane Teles é Manfredo Vidal informa que o julgamento em Tribunal do Júri, realizado na data de ontem, estendeu-se por mais de 12 horas, evidenciando a complexidade dos fatos analisados.
Ressalta-se que a defesa respeita a soberania do veredicto do Conselho de Sentença e reafirma sua confiança na Justiça. Contudo, entende que há circunstâncias relevantes que não foram devidamente consideradas na fixação da pena, especialmente no que se refere à dosimetria
Diante disso, serão adotadas as medidas recursais cabíveis, a fim de que tais pontos sejam reavaliados pelas instâncias superiores, buscando a correta aplicação do direito ao caso concreto.
A defesa permanece à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais.
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