Rede transnacional: PF aponta que empresário alvo de sanções atuava como doleiro em ao menos sete países

  • 04/07/2026
(Foto: Reprodução)
Operação da PF mira desvio de 'emendas Pix' em quatro estados A investigação da Polícia Federal que embasou a Operação Exchange aponta que a organização chefiada pelo empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, alvo de sanções dos Estados Unidos e atualmente foragido, mantinha operações financeiras em diferentes países para lavar dinheiro do tráfico de drogas. Mais de 70 empresas aparecem vinculadas ao esquema, que teria movimentado até R$ 10,4 bilhões. Segundo a decisão judicial que autorizou as prisões e buscas da operação, Shimada utilizava o apelido "Bryan Willians" em grupos de WhatsApp usados para controlar movimentações financeiras. Em uma das conversas analisadas pela PF, ele compartilhou uma planilha contendo registros de datas, cidades, valores movimentados, taxas de câmbio e saldos. O documento reúne operações que somavam US$ 7,54 milhões, distribuídas por grandes cidades dos Estados Unidos, como Houston, Chicago, Denver, Atlanta, Cleveland, Nashville, Memphis e Los Angeles, entre outras. Para a PF, os registros são indícios do recolhimento sistemático de dinheiro em espécie e da utilização de estruturas financeiras para ocultar a origem dos recursos. Apartamento da ex-esposa de Victor Henrique de Oliveira Shimada foi alvo de mandado de busca e apreensão em Santos (SP) Diego Bertozzi/TV Tribuna e Reprodução/Globonews A investigação também identificou indícios de atuação do grupo em outros países. Além de Brasil e Estados Unidos, aparecem referências a movimentações em Portugal, Paraguai, Argentina, Panamá e Colômbia. Em uma conversa, Ygor Fokin Saviolli, apontado como um dos responsáveis da organização, relatou ter participado de uma reunião na Colômbia envolvendo oportunidades de recolhimento de milhões de dólares em cidades americanas. Em outro trecho da decisão, a Polícia Federal afirma haver fortes indícios de que Shimada atuava como "doleiro", intermediando transações em diferentes países e organizando a entrega e o recebimento de dinheiro em espécie por meio de pessoas de sua confiança. Entre os auxiliares citados pela investigação estão o tio Amauri Henrique de Oliveira, a prima Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, presa nesta sexta-feira (3), e o operador financeiro Carlos Henrique Costa Almeida. A PF também relata que Stella participava da coordenação de operações internacionais. Conversas atribuídas a ela mencionam planilhas com movimentações referentes a "EUA, Portugal e outros", além de remessas identificadas pelo codinome "Lisboa". Os investigadores afirmam que ela atuava na gestão financeira e na coordenação de entregas de valores no exterior. Polícia Federal faz operação contra lavagem de dinheiro do tráfico de drogas pelo PCC Em Portugal, a investigação aponta que Carlos Henrique Costa Almeida recebia e custodiava euros para o grupo. Em mensagens, ele e Shimada discutem a entrega de centenas de milhares de euros em Lisboa e Cascais e tratam da compra e venda de moeda estrangeira para brasileiros residentes no país europeu. As mensagens analisadas pela PF também mostram tratativas envolvendo câmbio paralelo no Paraguai e na Argentina. Um dos investigados, João Gilberto Codognotto, conhecido como "Giba", propôs a Shimada uma operação em Assunção, com depósito de US$ 50 mil convertidos em guaranis e posterior compensação no Brasil. Em outro diálogo, o mesmo operador apresentou uma oportunidade envolvendo 1 bilhão de pesos argentinos disponíveis em Buenos Aires. Segundo a decisão judicial, Shimada respondeu que a conversão seria feita utilizando o mercado informal conhecido como "dólar blue", expressão usada para designar o câmbio paralelo na Argentina. Polícia Federal prendeu Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, alvo de punições dos EUA por suposta ligação com o PCC Divulgação/Polícia Federal e REUTERS/Jonathan Ernst A Argentina também aparece em outra frente investigada. De acordo com a PF, Diego Lameiro Diz atuava em negociações relacionadas à comercialização de alho produzido em Mendoza, atividade que os investigadores suspeitam ter sido utilizada para movimentação de recursos do grupo. A decisão destaca que a organização investigada utilizava diversas ferramentas para dificultar o rastreamento das operações, incluindo criptomoedas, empresas de fachada, telefones não registrados e aplicativos criptografados como Signal e Telegram. Segundo a PF, Shimada era o líder do núcleo financeiro da estrutura e utilizava empresas como Victory Trading, Transborder Import and Export, Pixwave Soluções de Pagamentos e GP8 Pay para movimentar recursos. As conversas analisadas pela PF mostram operações em diferentes moedas, incluindo dólares, euros, pesos argentinos e guaranis paraguaios, além do uso de criptomoedas como USDT e Bitcoin.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/07/04/rede-transnacional-pf-aponta-que-empresario-alvo-de-sancoes-atuava-como-doleiro-em-ao-menos-sete-paises.ghtml


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