Servidor acusa secretária da Sesp de obrigar a usar camisa e ir à convenção de governador interino

  • 29/05/2026
(Foto: Reprodução)
Servidor denuncia que funcionários da Sesp foram obrigados a usar camisa e ir à convenção política em Boa Vista (RR). Reprodução Um servidor da Secretaria de Segurança Pública de Roraima (Sesp) denunciou que funcionários da pasta foram obrigados a usar camisa amarela e a participar da convenção partidária do governador interino e candidato ao governo na eleição suplementar, Soldado Sampaio (Republicanos). A orientação, segundo ele que preferiu não se identificar por medo de perseguição, foi dada pela secretária da pasta, a delegada Eliane Gonçalves. Ela foi nomeada para a pasta por Sampaio, um dia após ele assumir o governo. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp A convenção ocorreu em 17 de maio, no Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Nova Querência, no bairro Aeroporto, em Boa Vista. Em nota, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) do governo informou que a secretária de Segurança "não expediu qualquer determinação institucional para participação de servidores em evento político-partidário, tampouco condicionou presença, manifestação pública de apoio ou compartilhamento de imagens a qualquer atividade funcional". Leia a íntegra da nota mais abaixo. O g1 também procurou a secretária e o governador sobre o assunto, mas não recebeu resposta até a última atualização. Secretária da SESP, Eliane Gonçalves, e Soldado Sampaio, governador interino de Roraima. Reprodução/Instagram O servidor afirmou em denúncia à Rede Amazônica que a convocação para o evento foi feita durante uma reunião em 14 de maio, no prédio da secretaria. O encontro, segundo ele, deveria apresentar a nova secretária aos servidores, o que não ocorreu. "Todo mundo se sentiu constrangido e obrigado a ir para esse evento", afirmou o servidor. Ainda segundo o relato, Eliane disse na ocasião que esperava todos os servidores na convenção. Ele afirmou ainda que percebeu um clima de intimidação durante a reunião, com preocupação sobre gravações. "No dia da reunião, na verdade não houve a real apresentação da secretária. Ela simplesmente chegou na frente de todos os servidores, pediu para um policial observar quem estava gravando ou filmando e só falou: 'olha, aqui todo mundo é [da] Segurança Pública, né? Então, vocês já estão sabendo do evento no domingo', e [disse] que esperava todo mundo lá", contou. Comunicação em grupo oficial de WhatsApp Após a reunião, uma servidora ligada à secretária enviou um comunicado sobre a convenção em um grupo oficial de WhatsApp da pasta, usado para avisos internos. Cerca de 4h depois, a chefe de gabinete da secretária enviou o mesmo comunicado. Na sequência, Eliane afirmou que estava no Palácio, disse que conversou com a equipe e sugeriu o uso de camisa amarela no domingo, dia da convenção, que representaria o candidato. Na mensagem, também afirma que é proibido o uso de carros oficiais. A cor amarela tem sido usada na campanha de Sampaio. Segundo a denúncia, no dia do evento os servidores foram orientados a “prestar contas” com o envio de fotos que comprovassem a presença na convenção. As imagens foram enviadas no grupo de mensagens oficial. "Os servidores comissionados ficam nessa insegurança. Se não for, podem perder o emprego. Então, todos foram obrigados. Ali havia um recado muito bem dado. Se não fosse, ainda mais que tinha que prestar contas, provar que foi, todo mundo se sentiu constrangido e obrigado a ir para esse evento" afirmou. Mensagens foram enviadas em um grupo oficial de comunicação da Sesp. Reprodução LEIA TAMBÉM: O que é assédio eleitoral no trabalho? Quais medidas tomar se for vítima? Veja perguntas e respostas Justiça condena empresa por assédio eleitoral e indenização é de R$ 400 mil em MG Grupos empresariais são condenados em R$ 600 mil após incentivarem influência de voto de empregados em SC O servidor disse também que novas convocações ocorreram depois, inclusive para uma reunião com um deputado estadual no bairro Tancredo Neves, zona Oeste de Boa Vista. De novo, com presença obrigatória de todos os servidores. Conduta por gerar processo Condutas como a da secretária, caso seja comprovada relação com o impedimento da liberdade eleitoral, podem configurar assédio eleitoral e resultar em processo. O procurador da República em Roraima, Miguel de Almeida Lima, alerta que é necessário cautela, tendo em vista que o ambiente de trabalho não deve ser usado como espaço de campanha política. "Em princípio a gente tem que entender que se há um ambiente de trabalho, é um ambiente de trabalho, não um ambiente de propaganda política. É claro que as pessoas podem conversar, mas uma ferramenta de trabalho não é uma ferramenta de propaganda política partidária", disse. Segundo o procurador, existem atos proibidos para autoridades públicas durante o período eleitoral. Ele afirmou que, de modo geral, coação, pressão ou ameaça que violem a liberdade de voto são considerados ilícitos e podem ser punidos. Nomeada pelo governo interino Delegada da Polícia Civil de Roraima, Eliane Gonçalves assumiu a Secretaria de Segurança Pública em 1º de maio, primeiro dia do mandato de Soldado Sampaio como governador interino do estado. Sampaio era presidente da Assembleia Legislativa e assumiu o governo após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar o mandato do então governador Edilson Damião (União Brasil) e determinar a realização de um novo pleito. Nota do governo A Secretaria de Comunicação Social esclarece que, conforme apuração, o grupo de WhatsApp mencionado na reportagem não é um canal oficial de comunicação institucional da Secretaria de Segurança Pública, não integra os meios formais de comunicação da Pasta e não foi criado pela atual gestão. Trata-se de um grupo criado por iniciativa de servidores, com participação voluntária de integrantes da instituição, sem vinculação administrativa ou caráter oficial. A Secretaria informa ainda que, a secretária de Estado da Segurança Pública, delegada Eliane Gonçalves, não expediu qualquer determinação institucional para participação de servidores em evento político-partidário, tampouco condicionou presença, manifestação pública de apoio ou compartilhamento de imagens a qualquer atividade funcional. Em relação ao ofício citado, o documento teve finalidade exclusivamente administrativa e destinou-se à convocação de diretores, chefes de divisão e responsáveis por departamentos para reunião de apresentação e alinhamento da nova gestão da Pasta, sem qualquer relação com atividades de natureza eleitoral ou partidária. Por fim, a Secom reafirma que não houve orientação oficial para participação em convenções partidárias e que eventual manifestação política de servidores ocorre no âmbito individual, observados os limites e garantias previstos na legislação vigente. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

FONTE: https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2026/05/29/servidor-acusa-secretaria-da-sesp-de-obrigar-a-usar-camisa-e-ir-a-convencao-de-governador-interino.ghtml


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